segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Meu nome não é Johnny

Ontem à tarde, estava no encontro de motociclistas, eu e uma amiga conversando, ambos, “levemente alterados”, quando ela me contou que o evento estava marcado para acontecer na “Conveniência do Bomba”, mas de ultima hora teve que ser realizado no Castilho Tênis Club, pois o atual prefeito, Joni Buzachero, havia impedido a realização por motivos que eu sinceramente não me recordo. No decorrer da conversa, ela cita que a cidade necessita de mudança, que o Paulinho Boaventura era um cara legal, mas foi conivente com os erros do Joni e agora queria dizer que não teve culpa, que iria votar na Fátima por esse motivo e por ai vai...
Aconteceu que eu acabei discordando desse argumento (não do fato dela votar na Fátima, deixo isso bem claro). Me posicionei dizendo que eu não acreditava que o Paulinho tinha tanto poder enquanto vice-prefeito, como algumas pessoas acham, e iria argumentar que pensava assim pois o Joni me parece ser do tipo fechado ao dialogo, que decide e depois apenas anuncia a população, não me parecendo ser aberto ao dialogo. Conclui isso pelas reuniões que participei, greve e reivindicações onde ele sempre me parecia fechado a negociações, mas, posso estar o julgando errado pelo pouco de informações e contato que tenho com ele. O fato é que antes de terminar meu raciocínio ela me interrompeu dizendo que pela maneira que eu falava, deixava claro que estava do lado do Paulinho. Encerramos a conversa ai..

Hoje, conversando com outro amigo, falando sobre a política de Castilho, ouvi um argumento bem parecido, de que o Paulinho foi conivente, que deveria ter entrado ao menos em um atrito com o atual prefeito e passei então a pensar em quantas pessoas utilizam esse mesmo argumento, mas acabei não discordando da fala dele, lembrando que eu poderia ser “acusado” de estar do lado do Paulinho.
O fato é que narro isso não como critica á ambos, até por que pode ser que eles estejam certos e eu errado, mas para contextualizar um cenário presente na nossa cidade.
Muitos dos eleitores deixam de votar no Paulo não por quem ele é, ou por seu plano de governo caso eleito, mas sim pelo que ele representa na mente dos eleitores, ou seja, a continuidade de uma administração marcada pela grande insatisfação popular.
Da mesma forma, muitos não votam na Fátima, não por ela ter prejudicado alguém, causado danos aos cofres públicos, entre outros erros que nós sabemos que não foi à pessoa dela em si quem cometeu, mas sim por eventuais erros que a administração que seu falecido marido tenha cometido.
Desse modo, a eleição não parece uma disputa entre Fátima Nascimento e Paulinho Boaventura e sim entre os legados de José Miguel e Joni Buzachero. O que as pessoas físicas de Paulinho e Fátima pretendem fazer caso eleitos parece ficar em segundo plano, sendo mais importante a figura desses dois personagens que sequer disputam a eleição.
Ambos já tiveram seu tempo, erros, acertos e oportunidades, sendo que agora é a hora de Fátima e Paulinho tomarem a rédea desse município, enfrentarem os problemas que virão e escreverem seus nomes na história de Castilho, seja de maneira positiva ou negativa. 
O passado deve ser passado pra trás e o futuro deve ser depositado na confiança ou da Fátima ou do Paulo, votando para aquele que apresente as melhores características para governar nossa cidade.
Fátima não é José Miguel e Paulo, não é Joni! Ambos são pessoas, cada um com sua particularidade, capacidade, ideais e visão de futuro
Se eu fosse candidato e enfrentasse Fátima, não gostaria que votassem em mim apenas por que não aprovaram a administração José Miguel, que ocorreu há 20 anos. Da mesma forma que se eu enfrentasse o Paulo, também não iria querer que votassem em mim apenas por não aprovarem a gestão Joni Buzachero. Gostaria que votassem por acreditar que EU tenho capacidade para governar e tomar decisões melhores que meus antecessores, mas, talvez por pensar assim é que eu não venço eleição nem pra representante de bairro.

 Se a Fátima não for melhor administradora que seu falecido marido e se Paulo não for melhor administrador que o Joni, qual o sentido de estarem disputando essa eleição? Os dois candidatos tem a história para observar os erros e acertos de cada administrador do passado e podem melhorar assim sua forma de governo.
Parafraseando Paulo, o apostolo, “Uns são de Paulo (o político) outros, são de Fátima, mas eu sou de Castilho” e por isso, seja Paulo, seja Fátima, o (a) candidato (a) que ganhar a próxima eleição terá o meu apoio e a minha oposição. Apoio no que for do interesse do município e oposição no que não for, mas certamente vou sempre torcer para que desempenhem um bom papel para a nossa cidade, seja quem estiver sentado na cadeira do executivo.
Os eleitores do candidato ou candidata derrotada deveriam fazer o mesmo, pois quem perde com uma administração ruim somos nós mesmos, cidadãos de Castilho, que dependem de políticas públicas eficientes para garantir saúde, educação, lazer, segurança, emprego, entre outros.
Deixemos revanchismo e brigas que não acrescentam a nada e vamos todos juntos lutar por uma castilho melhor, seja guiado pelas mãos do Paulo, ou da Fátima!

Silvio Coutinho

domingo, 4 de setembro de 2016

Como criar politicas públicas eficientes para sociedade? O que penso eu sobre isso...

Estamos a vinte oito dias das eleições municipais e este é certamente um dos assuntos mais comentados nas rodas de amigos. Alguns comentam que odeiam política, e por isso não se envolvem nela, outros, como eu, respiram política e dificilmente conseguem ficar um dia sem falar sobre isso (deve ser chato conviver comigo).
Mas o fato é que tenho consciência da abrangência da política em diversas esferas da nossa vida, de modo que, pensar sobre política é pensar sobre praticamente tudo, desde as necessidades básicas e atuais como alimentação, segurança, até questões mais profundas como o tempo que vivemos e a qualidade com que vivemos, o futuro de nossos filhos, netos, etc.
Assim, vejo a política como a mais importante forma de transformação social, pois através dela são implantados os pilares que sustentarão nosso presente e futuro social. Através da política é que ações são tomadas para garantir o emprego que nos da a renda para suprir nossas necessidades, a educação que vai garantir que nossos filhos possam estudar gratuitamente, o médico que nos atende nos postos de saúde, a limpeza das ruas que garantem um ambiente saudável e por ai vai. 

Dessa forma, venho aqui escrever sobre alguns pontos, na esperança que possa ser útil para algum candidato ao executivo ou legislativo, exercendo meu papel de cidadão dessa forma, já que eu não vou estar diretamente ligado a essas duas esferas.
Hoje, Castilho tem alguns problemas que são de pleno conhecimento da população, mas que dificilmente são discutidos fora do censo comum. Quando se fala em corte do transporte universitário, por exemplo, parece só existir os contrários e os favoráveis, ambos, utilizando argumentos pouco aprofundados, argumentando que a prefeitura tem que cortar gastos, no caso dos favoráveis, ou que por ser rico, o município tem sim que bancar o ônibus, no caso dos contrários ao corte. Dificilmente se foge dessa regra...
O fato é que os dois lados estão certos e errados ao mesmo tempo, pois sim, realmente a prefeitura é rica, mas não tanto quanto se pensa e não é por isso que o executivo tenha que sair gastando a torto e a direito e, sim, deve se conter gastos, mas há outros menos necessários que também deveriam ser cortados, como viagens e regalias para políticos e funcionários de alto escalão,
Eu penso que dificilmente, para não dizer “impossivelmente”, o fim transporte gratuito para os estudantes universitários será revogado, pois envolve muito mais do que apenas a vontade do administrador público, como a pressão do Tribunal de Contas, que é totalmente contrário a esse tipo de gasto em um momento como o atual.
Sendo assim, por que não criar um programa de estagiários, de diferentes cursos superiores e técnicos, remunerando o mesmo para prestação de serviços para população? Assim, essa bolsa poderia ser utilizada, entre outras coisas, para custear o transporte dos mesmos até o seu local de estudo. Os estudantes que se enquadrassem teriam o auxilio e a sociedade receberia de volta o investimento feito em forma de um serviço útil a ela.
Com um tipo de programa assim, o executivo poderia resolver uma equação difícil: Como expandir o serviço público, com melhor qualidade, sem um causar grande impacto financeiro no orçamento municipal?
Com estagiários, seria possível utilizar monitores para criar espaços públicos atraentes ao jovem, que hoje conta com pouca opção de lazer, esporte e cultura.
É necessário ocupar os espaços públicos, como escolas, praças, estação ferroviária e obras feitas por gestões anteriores que não são atualmente utilizadas, como os centros comunitários e o Centro de Eventos Culturais.
Com um programa desse tipo, seria possível transformar esses locais em centros de práticas esportivas, (já que o único ginásio municipal e insuficiente para atender as demandas esportivas do município) pratica de aulas de dança, teatro, oficinas de arte, artesanato e uma infinidade de atividades que podem ser executadas nesses locais,  e ainda criar na sociedade a consciência de preservação do patrimônio público, demonstrando na prática os benefícios dos mesmos para o coletivo. sem causar um aumento considerável nas despesas públicas,
Sem contar que a utilização desses espaços pode evitar que os mesmos sirvam de locais para uso de drogas e álcool, como acontece atualmente, causando revolta na comunidade vizinha aos mesmos.
Penso que o melhor para o município são ações onde varias áreas são interligadas, como nesse esboço acima, que engloba educação (ensino universitário e técnico), renda (bolsa para estagiários), que poderia ser utilizado, entre outras coisas, para o transporte do mesmo até ao seu local de estudo (transporte público) serviços públicos para a população (esporte, cultura, lazer, conservação de espaços públicos, programas de prevenção de doenças, etc) obtidos através da prestação de serviço por parte dos estagiários remunerados, que somados podem criar um ambiente social melhor, reduzindo problemas relacionados ao consumo excessivo de drogas, já que tais espaços agora terão um uso mais racional. As vezes, o que diferencia o usuário esporádico de drogas, do usuário frequente ou viciado, é a falta de atividades que tragam satisfação ao mesmo, pois, pra muitos, a droga é a forma mais acessível e barata de obtenção de prazer. Claro, reduzir o problema das drogas a somente um fator, seria leviandade da minha parte, mas é um ponto a se pensar.
Dessa forma, ajudaria a criar um sociedade mais saudável, física e mentalmente, reduzindo possivelmente despesas com saúde e segurança pública (a palavra de ordem agora não é justamente economizar?). 
Bem, fica ai pra quem quiser ler, o meu ponto de vista sobre um tema e espero não ter sido uma formula idiota e de difícil aplicação, para que você não tenha perdido seu tempo em ler tal dissertação. Estou aberto sempre á discussões, acho que assim é que se melhora uma ideia.. Se alguém quiser conversar, estou ai!

Silvio Coutinho

sábado, 3 de setembro de 2016

Entrevista com o candidato a vereador - José Henrique (Men)

Nessa entrevista com o candidato José Henrique, mais conhecido como Men, tratamos dos temas abaixo citados:

  • Aumento de salários do legislativo
  • Realização de sessões noturnas
  • Águas de Castilho: Assunto batido ou atual?
  • Assessores 
  • Outros


domingo, 28 de agosto de 2016

Sobre quem vou votar nas próximas eleições

Primeiramente, Fora Temer...
Segundamente, tenho algumas certezas na vida. Uma delas é a certeza da morte, outra é que até o fim da eleição muita gente vai brigar por causa de divergência política.
Assim, todo aquele que se posiciona na defesa de um partido, candidato ou ideologia, tende a enfrentar oposição, crítica, ofensa, entre outras coisas. Isso se dá pela paixão envolvida no contexto político, em parte, e também pelos benefícios que a vitória traz para aqueles que vestem a camisa e trabalham para um candidato, seja com nomeação em cargos ou influência e livre acesso para obtenção de benefícios pessoais nas esferas tuteladas pela administração pública.
Pensando nisso, como participar no contexto político, sem os dissabores da tomada de partido?
Não sei exatamente responder a isso, mas tenho tentado conversar com as pessoas em meu ciclo de amizades, explicando sobre política, a importância que a mesma tem na vida do cidadão, e o que cada ente da administração pública faz.
Sempre ao ver uma promessa de um vereador que diz que vai dar aumento para funcionários públicos, ou vai construir uma creche em um determinado bairro, asfaltar rua, esclareço que vereador nenhum tem esse poder, pois a ele cabe legislar, fiscalizar, cobrar, mas não executar.
Da mesma forma, quando vejo um candidato ao executivo prometer uma série de coisas que gastam tempo e muito dinheiro, além de depender de outras esferas como a estadual e federal, esclareço que tal promessa é infundada, e explico exatamente o motivo de tal promessa não ser viável ou possível de ser aplicada na pratica. Assim, tenho caminhado nessa campanha, silenciosamente, sem expor preferências, ou pelo menos, tentando não expor um lado.

Mas será isso o suficiente? Não sei...
A única coisa que sei é que, tanto a candidata Fátima, quanto o candidato Paulinho, enfrentarão um momento delicado, com probabilidade de queda da arrecadação, tanto em questão da Usina, bem conhecida do Castilhense, quanto pela diminuição de repasses das esferas estaduais e municipais, que estão enfrentando queda de arrecadação pela crise econômica e política que enfrentamos, aliado a propostas neoliberais que estão as vistas de serem aprovadas, que poderão diminuir repasses em saúde e educação, o que seria uma bomba para o futuro (a) prefeito (a), pois debilitariam os já ruins serviços públicos, fato esse que poderia causar uma perda de popularidade para a futura administração municipal.
Outro problema é que o Tribunal de Contas tem recomendado a extinção de Cargos Comissionados, apontando favoravelmente para a troca por Funções Gratificadas, ou seja, funcionários efetivos. Sem os cargos de comissão, o apoio de alguns daqueles que vestiram a camisa por interesses particulares seria minado, transformando os em ferrenhos opositores.
E quanto ao funcionalismo público? Administrar sem ferir a lei de responsabilidade fiscal, que estipula um teto para o percentual gasto com folha de pagamento e ao mesmo tempo garantir a valorização do funcionário público exigira muito diálogo, negociação e transparência, coisa que faltou na administração atual. O futuro administrador deverá ter jogo de cintura e inteligência para garantir ao menos o minimo de satisfação da classe que move a administração pública que são os trabalhadores.
Diálogo é algo que o futuro representante da administração pública deverá ter, pois a sociedade anseia em ser ouvida. Hoje as demandas são muitas, e um governo fechado em si mesmo, não terá representatividade para alcançar a satisfação popular.
Administrar com menos recursos e atender tais demandas exigira capacidade e eficiência administrativa, buscando meios de economizar em áreas supérfluas e menos necessárias, priorizar eventos e ações que demandem pouco investimento e causem um impacto mais duradouro, beneficiando um numero maior de pessoas torna se essencial.
Utilizar espaços já disponíveis ao invés de construção de novos, interligando cultura, lazer, educação, tudo ao mesmo tempo, algo complicado, mas possível com um pouco de vontade e criatividade.
Utilizar a sociedade civil, artistas, igrejas, instituições, associações, comércio, empresários, através parcerias entre o público e o privado, dando agilidade e maior abrangência as ações públicas.

Poderia colocar muitas outras coisas que acredito serem necessárias a Fátima Nascimento ou ao Paulo Boaventura, mas não quero mais tomar o tempo do leitor.
Ao fim, só quero com esse texto, mostrar ao leitor, eleitor, que o futuro prefeito ou prefeita de Castilho deverá estar preparado para o que há de vir. Não só ele, mas todo seu grupo de apoio devera contar com pessoas capazes, por que nada é tão ruim que não possa piorar.
Se a administração Joni, com mais recurso disponível não foi das melhores, imagina nesses próximos anos com menos recurso disponível. Aliar desenvolvimento social e crescimento econômico em uma época em que o país como um todo esta estagnado será um tanto quanto complicado, pois exigirá muito trabalho e inteligência do gestor público e seus colaboradores.  Então, não jogue seu voto fora, pois estará piorando a cidade para você, seus filhos, parentes, amigos e para mim também,
Por favor, vote em quem você tenha certeza que será capaz de enfrentar todas as adversidades que estão por vir, alguém que possa encontrar soluções para manter essa engrenagem na qual todos estamos. Vote em quem diz o que pretende fazer, mas principalmente, como pretende fazer. Dizer que vai fazer asfalto, dar empregos, trazer empresas, dar casas, fazer as Olimpíadas em Castilho é fácil, agora, mostrar como irá fazer, e de onde ira tirar dinheiro isso é bem mais difícil.

Para a Câmara de Vereadores, vote em um candidato que prometa fiscalizar as ações do prefeito ou prefeita,  que vai ser favorável a projetos que sejam benéficos ao município e contrario aos que ferem o interesse público,que diga pra você que qualquer projeto que envolva custos a administração pública não pode ser feito por ele, que vai lutar para trazer as sessões da Câmara para a noite, para que você possa ir sempre que desejar participar. Fuja de candidatos que prometem até uma vaga no céu pra quem vota nele, eles estão tentando te enganar. Nem precisa dizer pra fugir dos que te oferecem dinheiro, cerveja, churrasco, etc. Vote em alguém com um histórico de honestidade, pois, mesmo que não seja possível ter plena certeza de que o mesmo não vai se corromper com o poder, é melhor votar em alguém que não seja um corrupto conhecido.  
Então, dia 02 de outubro, vote em.... Você decide, mas por favor, decida bem...

Silvio Coutinho

domingo, 10 de abril de 2016

DEMIS, LULA E O IMPEACHMENT

Voltei. Mentira, tô bem longe de Castilho. Porém, pra variar, o cenário político de nossa cidade continua tão insólito que o silêncio tornou-se insuportável, mesmo à distância. Como de costume, tentarei estabelecer uma relação absurda, mas que, por isso mesmo, faz muito sentido.

A atual crise política é fruto de um jogo bem sujo, porém bastante conhecido por nós. Todo mundo já ouviu falar em caixa 2, compra de votos, presentinho de empresas a políticos como retribuição por seus serviços prestados. Em Castilho, é muito comum conversas do tipo, sobre supostas práticas corruptas: “para se eleger, fulano gastou 100 mil comprando votos” ou “empresa tal investiu em determinados vereadores só pra ganhar a concessão”. Em Brasília, pior ainda. Sempre há acusações desse tipo, mas nunca são comprovadas ou, ao menos, denunciadas, permanecendo obscura a atmosfera política. 

A Lava Jato criou um ambiente de moralidade no país. De supetão, o judiciário (uma das instituições que menos funcionam no Brasil) assumiu o papel do Juízo Final, Sérgio Moro o de messias moral (Moro messias moral). De uma hora para outra, a corrupção passou a escandalizar, como se fosse uma moda criada pelo PT e, especialmente, por Lula. Este, por sinal, foi eleito o Judas da classe média: teria ganho um triplex, teria ganho um sítio com uns pedalinhos.

Não duvido que Lula tenha ganho esses presentinhos e feito coisa errada. Mas, o que me assusta, é que o querem preso não pelo que ele fez de ruim, mas pelo que ele fez de bom. Grande parte dos reacionários que berram em minha timeline têm usado essas acusações do triplex e do sítio pra dar início a uma tempestade de rancor contra as medidas (mínimas, por sinal) de tentativa de equalização social, como “bolsa família”, tudo regado a piadinhas em relação à baixa escolaridade do ex-presidente, a ausência de um dedo nas mãos e, principalmente, sua origem nordestina.

Com Dilma não é diferente. Fala-se das tais pedaladas fiscais como um crime terrível (99% dessas pessoas só conhecem as pedaladas do Robinho) para, em seguida, deflagrarem a misoginia: “essa mulher feia não pode governar nosso país!”. Pra piorar, é uma mulher feia que tem como mentor um nordestino sem dedo.   O rancor é tão grande e o preconceito é tão claro, que o fato de que os líderes do impeachment estejam até o pescoço envolvidos no esquema de corrupção que a Lava Jato investiga (Aécio citado mais de 6 vezes, Eduardo Cunha sendo o único réu com mandato, acusado de ter dinheiro pra comprar 500 mil sítios escondido em contas por aí) não incomoda os defensores da moral nacional.

Resumindo: a luta contra a corrupção é só um pretexto. Lula preso e Dilma impeachada, a Lava Jato some da mídia, vai pra gaveta e voltamos a ser um país lindo, branco e cristão.
Créditos da foto: Moisés Eustáquio

O caso do vereador Demis do “Balcão de Emprego” ou Demis “Cantor” (que era muito melhor que o vereador) é interessante. Demis está longe de ser Lula. Muito longe. Demis é um coitado que, a partir de sua popularidade e da aliança com uma figura bastante contraditória da cidade, conseguiu uma cadeira na câmara.

Conheci o Demis “Cantor”, um rapaz simples, em busca de uma ascensão social, ingênuo em relação ao sistema político, uma espécie de Lazarillo de Tormes castilhense. Quando o “Cantor” passou a ser o do “Balcão de empregos” e, consequentemente, o Vereador, por mais que tenha tido lições com quem o ajudou a se eleger, adentrou ao sistema carregando ainda muito da ingenuidade do “Cantor” em sua busca de ascender socialmente. Traído por seu assessor, revelou uma suposta prática daquelas que se comenta nos botecos e esquinas de Castilho, mas que ninguém consegue provar. Não só revelou que ele teria aderido a esse sistema, como também afirmou que “todo mundo faz isso”, segundo os trechos que tive acesso.

Agora, está sob os olhos da moralidade de seus pares...

Se Demis errou, tem que responder por isso. Se comprovado, dificilmente não perderá o mandato. Perderá o mandato, perderá a dignidade, porém, o “todo mundo faz” permanecerá nas conversas de boteco e nas esquinas da cidade. Demis pagará sozinho por ter sido/ser o “Cantor”.


Samuel Carlos Melo

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Pra dizer que não falei da crise

Ontem, dia 09/09/2015 vimos dezenas de reportagens tratando sobre a perda do grau de investimento do Brasil pela agencia de analise de risco Standard & Poor's. Isso significa que esta agencia vê o Brasil como um local com problemas de liquidez (condições de arcar com o pagamento da divida pública) sendo assim mais propenso a um calote, trazendo assim uma maior taxa de juros esperada para empréstimos futuros, para compensar o maior risco.
Essa noticia, soma-se a outras que nos bombardeiam diariamente, como a elevada inflação (9,53% nos últimos 12 meses), os juros pornográficos de 14,25% ao ano que só serve para deixar banqueiro e especulador mais rico, a queda esperada do PIB em mais de 2% esse ano, queda na arrecadação da União, Estados e Municípios que devem gerar um deficit nominal (diferença entre o que se arrecada e o que se gasta) acima de 7% do PIB, ou seja, vem mais emissão de títulos da divida publica pra custear esse monstro. A taxa de desemprego também cresceu nesse Black Year de 2015, que alcançou 7,5% em julho e o salário médio também caiu, 2,4% a menos que no ano passado.
Vendo a mim, constantemente acusado de Petismo trazer tanta noticia ruim ao mesmo tempo, você deve estar pensando "Ou ele enlouqueceu, ou vai ser o mais novo garoto propagando do #foraDilma". Ou então vai dizer "Não era este que dizia que não havia crise no Brasil?"

Pra decepção sua, afirmo que não serei garoto propaganda e muito menos vou admitir que algum dia eu falei que não tinha crise no Brasil. O que eu defendia e defendo ainda é que esta não é a maior crise da história do país, como é passado por ai. Se você olhar na história, com um olhar racional, verá que tivemos momentos muito piores no passado. Já ouço os mimimis, dizendo que sempre venho com essa de como era nosso passado pra justificar o presente, mas te pergunto, pra que serve a história senão pra olharmos e compararmos o ontem com o hoje?
Se você der uma olhada na internet verá que 2002,  a taxa SELIC estava em 25%, maior que os atuais 14,25% (que já é um absurdo) e ainda assim naquele ano a taxa de inflação foi de 12,53%, bem maior que a projetada esse ano em 9,53%. Ainda sobre os juros, já tivemos juros de 45% em 1999, três vezes mais que a atual.
Vamos falar sobre inflação? Está alta, sim, 9,53% ano é bastante, mas o que dizer de 2477,15% no ano de 1993?
Desemprego? Ta alto? Muito... Mas e os 12,3% de desempregados em 2003? Bem mais alta, né?
Ah, a divida pública ta estratosférica, concordo, hoje temos uma divida liquida correspondente a 34,9% do PIB, mas o que dizer dos 60,4% do PIB no ano de 2002, taxa recorde histórica?
Ficaríamos horas aqui, mas melhor mostrar posteriormente pra quem tiver curiosidade de saber, basta me pedir e eu mostro todos os dados históricos.
Como disse, não venho defender governo, nem Dilma, mas elucidar um fato que tentam deturpar, para que a sociedade creia que essa é a pior crise econômica de todos os tempos. Estamos em crise, grave por sinal, mas ainda há tempo de sairmos disso, não estamos ainda no nível do pré-sal!

O fato é que toda essa propaganda negativa vai criando na mente das pessoas um medo exacerbado, que só faz piorar a situação. Se a mente estiver negativa, a economia refletirá essa lógica, pois quanto mais o consumidor temer, menos irá consumir, com medo de perder o emprego ou não ter condições de arcar com dividas,consumindo menos, haverá recessão, havendo recessão, o empresário investirá menos e empregos serão cortados, formando um ciclo vicioso. O governo arrecadará menos e gastará mais, e como somos um país extremamente dependente do estado, sofreremos as consequências dessa queda, principalmente os mais pobres.
Não podemos deixar de consumir, e sim racionalizar os gastos. Se você sai pra comer todo fim de semana e come o lanche mais caro e bebe a cerveja mais cara, não diminua as vezes que você sai e sim coma um lanche um pouco mais barato e uma cerveja um pouco mais barata, pois vai estar economizando e por estar consumindo em quantidade vai garantir o emprego do garçom, além do lucro do dono da lanchonete. Ao invés de comprar uma camiseta por R$80,00, pegue duas de R$40,00 na promoção, aproveite os descontos, pechinche, negocie nas compras à vista, renegocie empréstimos nos bancos com menores taxas, viaje para dentro do país e não pra fora entre outras coisas que pode ser feita para minimizar os efeitos da crise, pois se todo mundo parar de consumir, ai que ela se torna a pior crise da história do mundo moderno mesmo.
Não é o fim do Brasil, isso eu creio e espero, porque independente de governo procuro ser realista e otimista.
Estamos doentes, precisamos de remédio, mas também precisamos nos alimentar, senão, morreremos.
O discurso do "quanto melhor, pior" só interessa á políticos que querem o poder e veículos midiáticos que tem interesses financeiros com esse novo governo. Se o barco afundar, nós afundaremos com ele.
O rico pode tirar seu rico dinheiro da atividade produtiva para o capital financeiro especulativo e continuar rico e nós, como vamos nos manter sem os empregos frutos dessa atividade produtiva? Pense nisso..

terça-feira, 8 de setembro de 2015

"Ilhas de investimento”: a $olução para os afogados do mundo


“Há uma luz no túnel
Dos desesperados
Há um cais de porto
Pra quem precisa chegar”

O cinismo de certas personificações do capital parece não ter limites, nem mesmo em meio à tragédia. Quem conhece o mínimo de história sabe que o tipo de “solução” estapafúrdia proposta Naguib Sawiris de comprar uma ilha da Grécia ou da Itália para servir de casa aos milhares de homens, mulheres e crianças que fogem da Síria e de outros conflitos,  não tem nada de inovador. 
O campo de refugiados de Za'atari, segundo maior do mundo

       Trata-se da mesma lenga-lenga que deseja “resolver” os problemas graves “dos afogados do mundo” sem tocar nas causas imanentes, justamente porque um ataque às causas colocaria em pauta questões relacionadas aos problemas estruturais de um sistema que, se no passado trouxe certos benefícios (e aqui é bom lembrar a discrepância na divisão dessas benesses), nos últimos quarenta anos tem minado praticamente todas as conquistas daqueles que, ao longo de suas vidas, “nadaram/nadam” em meio à degradação e a precarização. Ou seja, aqueles que lutaram/lutam para não morrerem nas praias da barbárie da vida cotidiana.           
A ideia de um capitalismo cujas personificações aparecem como indivíduos bem intencionados e solidários é, no mínimo, uma falácia perversa. Isso porque desconhece completamente o papel destas mesmas personificações dentro da (des)ordem sistêmica mundial. Ignora a cota de responsabilidade destes mesmos “bem aventurados” que, agora, em meio à comoção mundial, surgem como “heróis” dos deserdados do mundo. Agora pretendem “ajudar o povo” com mesmos os recursos que foram de antemão surrupiados da grande maioria!
Concomitantemente, tais ideias ocultam o papel “funcional” dessa gente na “lógica” capitalista. Uma lógica em que a “mobilidade arrasadora” joga os seres humanos de um lado a outro sem considerar as consequências negativas, impondo à estes, o que na geografia alguns costumam denominar de des-re-territorialização. Um neologismo barato que tenta dar nova explicação, dentre outras coisas, para o eterno movimento potencialmente destrutivo imposto pelo capital (desde sua gênese), à maioria dos indivíduos que são varridos de um lado a outro conforme as demandas e exigências da acumulação e expansão de capital. A correlação desigual entre capital e trabalho, nesse processo, caminha pari passu à dinâmica da luta de classes. E nesse sentido, o papel das classes capitalistas e suas devidas personificações não pode ser ignorado, isso tanto nos planos nacional, como internacional. É bom lembrar que a mobilidade do trabalho está ligada à mobilidade arrasadora do capital!
            Por isso, “foco-soluções” como a desse Naguib Sawiris, assim como muitas outras que já foram idealizadas, quando postas em prática, estão fadadas ao fracasso, pois mesmo quando “funcionam”, elas têm um efêmero prazo de validade, já que necessariamente não estão atreladas a um processo amplo e contínuo de mudanças estruturais/sistêmicas, ao contrário, pretendem “desafogar” temporariamente o sistema de suas contradições (Maiores informações, vide Brasil!)
            
Assim, não é nada espantoso que a adoção deste tipo de “ideia inovadora” por parte dos “caridosos” homens e mulheres de bem (dispostos a “compartilhar” as suas fortunas) e abraçada rapidamente por alguns desavisados, transformarem-se, como de costume, em práticas extremamente rentáveis. As ONGs são um bom exemplo nesse sentido.       
Não por acaso, Sawiris sinaliza para o fato da necessidade de “investimento em infraestrutura". De modo que haveria "abrigos temporários para as pessoas e elas poderiam ser empregadas para construir habitações, escolas, universidades, hospitais". Mas, correndo o risco de pedantismo, algumas questões surgem a priori. Por exemplo, de onde viriam tais investimentos? De onde viriam os meios de produção para esses novos empregados construíssem essa sua nova sociedade-ilha? Quem fará tal controle do que será produzido e distribuído nessas ilhas? Quem se apropriará do mais-valor (se é que ele existirá nessas ilhas de fantasia)? Como será feita a realocação dessas pessoas, quem o fará ? Serão consultadas antes de serem simplesmente jogadas nas ilhas? Enfim, estas são só algumas das inúmeras questões que surgem e que nem sequer são formuladas pelos apologistas
No fundo, o que o bom samaritano Naguib (ingênuo devido o seu coração solidário) faz ( sem saber?) é abrir caminho para a possível criação de “Ilhas de investimento” em meio aos “oceanos” de degradação humana e natural.
       Tais ideias só conseguem comover os corações e mentes daqueles que de alguma maneira já estão devidamente “adaptados” e “amoldados” a um modo de pensar estritamente monetário. Para eles e elas, as “$oluções” devem ser pensadas sempre dentro dos limites da própria ordem, jamais para além dela. São como certos cães que, ao correrem atrás do próprio rabo, imaginam que conseguirão alcançá-lo! Para estes senhores e senhoras, basta uma mão caridosa aqui e ali (por parte dos ricos) e tudo se resolverá gradualmente, mesmo que, nesse meio tempo, isto signifique ter que desviar dos cadáveres que se avolumam tanto na terra como no mar!


André Amorim 07/09/2015