A internet é com certeza um dos meios de comunicação mais democráticos que existem, e, por esta razão, conseguimos traçar através das opiniões expressadas, principalmente através de redes sociais (em especial o Facebook), o perfil ideológico e político das pessoas (mesmo que essas argumentem apaixonadamente que são avessas à política).
Desde o ano
passado, o Brasil se viu mergulhado em uma tissunami de protestos, que começaram com os famosos R$0,20 e se espalharam pra uma infinidade de temas, alguns
importantes, outros nem tanto. Esse ambiente conturbado, talvez inédito na
história Brasileira, somado a liberdade de expressão conquistada recentemente,
fez com que a opinião da sociedade Brasileira acerca de diversos temas
relacionados à política viesse à tona, e a partir disso, tracei o perfil de país
idealizado por parte da população Brasileira (ao menos os com acesso a
internet e conectados a rede sociais).
O Brasil
ideal, para esta parcela da sociedade brasileira, é um país sem poder
legislativo autônomo. O Congresso Nacional é um câncer que consome recursos e
pouco produz no que diz respeito a seu papel de legislador, logo, deve-ser
extinto.
Seria uma nação forte e militarizada. A força bruta seria a solução para a criminalidade que nos assola.
A polícia deveria ter total liberdade para exterminar bandidos e extirpa-los da
face da terra, afinal, "bandido bom é bandido morto", logo, o poder de legislador
e julgador (sei lá se essa palavra existe) ficaria nas mãos das Forças Armadas e, também, qualquer cidadão poderia portar uma arma para se defender caso fosse necessário.
Seria uma
nação higienista – mendigos, viciados em álcool e drogas, e outros cidadãos em
estado degradante deveriam ser separados do convívio dos demais, de maneira que
o incômodo de sua existência não seria mais sentido pela sociedade.
Manifestações só deveriam existir se fossem pacíficas, ordeiras, sem transtornos ou barulho.
Sair às ruas só se fosse para postar fotos no facebook, no mais, apenas
compartilhamentos de imagens e status com criticas seria o suficiente. Se alguém
ousasse protestar de outra forma, deveria sentir o braço forte do Estado,
afinal, arruaça e baderna devem ser tratadas na base da borracha.
Greve deveria
ser proibida, afinal, aceitou o trabalho sabendo as condições, logo, não se
deve aceitar vagabundagem de trabalhadores.
Movimento dos
Sem Terra, Sem Teto e outros “sem” deveriam ser reprimidos, afinal, só o
trabalho justifica a posse de bens.
O Governo
nunca deveria dar o peixe, e sim deixar que cada indivíduo o pescasse (mesmo
que não existam peixes suficientes para todos e embora alguns tenham rede de
arrasto e barcos modernos, enquanto muitos não tenham nem uma vara de bambu,
linha e anzol), logo, Bolsa Família, bolsas escolares, cotas em faculdades,
programas de habitação e reforma agrária não deveriam ser realizados, para que
os cidadãos não perdessem a vontade de trabalhar, ficando dependentes da tutela do
Estado.
O Estado não
deveria beneficiar os mais pobres em detrimento dos mais ricos, com impostos
maiores conforme aumentasse a faixa de renda da família, porém, reduzir
impostos na compra do carro zero, eletrodomésticos, subsidiar a compra da casa
nova com dinheiro público (R$14 bilhões em subsídios em 2013 para a compra de
casas, pelo “Minha Casa, minha Divida”) isso poderia sem problemas.
Os partidos de
esquerda, ou comunistas, são a causa do mal econômico e deveriam ser combatidos,
pois, defendem tirar o que é de quem trabalha e dar para quem nada produz,
desestimulando o investimento produtivo no país.
Se você leu o
texto e percebeu que estes ideais batem com o seu jeito de pensar e querer o
Brasil, saiba que você não esta sozinho. Muitos jovens e adultos têm pensado desta
forma. Este jeito de ver a política no passado inspirou lideres carismáticos que tinham um discurso de país forte, repressor, militarizado e higienista, com ideais ultra-capitalistas, ideias
que conquistaram milhões de seguidores. Benito Mussolini na Itália e Adolf Hitler na Alemanha
conseguiram trazer para junto de si uma multidão que partilhava deste
mesmo tipo de pensamento, criando o que hoje chamamos de Fascismo.
Mas é claro que, nesses países, a crise econômica trazida
pela 1ª Guerra Mundial, contribuiu para que essa filosofia política conquistassem
as massas e por isso tais lideres chegaram ao Governo, pois estes eram vistos como "Salvadores da Pátria", afinal ,“O fascismo é
fascinante e deixa gente ignorante fascinada”.
No
Brasil, ainda não chegamos a tanto, pois mesmo enxergando que o Brasil esta andando
na marcha lenta, o emprego e a renda do trabalhador continuam em alta, de maneira
que essa percepção apocalíptica que se vê nas “Vejas” da vida não é
compartilhada pela maioria da população.
Ainda assim, o
futuro não me passa tanta tranqüilidade, pois com alguns elementos a mais, esse
país descrito acima pode se tornar sim o Brasil daqui alguns anos e não seria o
meu “sonho de consumo” morar em um lugar assim.
Claro que eu
anseio por mudanças, por uma melhor educação, um maior desenvolvimento econômico,
maior segurança, entre outras coisas que há 500 anos o Brasil vem deixando a
desejar, porém, é melhor a liberdade de gritar aos quatro cantos que é necessário
mudar do que passar maquiagem na cara e ter que cantar “Pai, afasta de mim esse
cálice”...
Silvinho Coutinho














