quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Aqui é trabalho, meu filho!





            Ah, o trabalho! Pouca gente gosta; muita gente faz porque ou é isso ou é fazer malabarismo no farol. Pelas Sagradas Escrituras, o labor foi um castigo dado a Adão pela desobediência. Pra quem acredita na Explosão, trabalhar é inerente à própria condição humana. Muricy Ramalho, técnico de futebol, tem o seguinte axioma: “Aqui é trabalho!” E é nessa linha muricyana que tenho percebido algumas coisas nessa nova velha Administração.
Já ouvi e vi, virtual ou pessoalmente, muitos assessores, dono de cargos eletivos e seus familiares bradando que o povo só fala e fala, mas que nunca contribui pra nada (apesar dos impostos absurdos pagos constantemente). Quem faz parte dos amarelos trabalha, sua a camisa e coopera para o bem da cidade. Quem vê as coisas erradas e se expressa faz parte do problema, justamente porque não vai lá fazer melhor (ou pior).
Começamos há quase um ano com esse projeto de blog. Inicialmente apenas pra divulgar idéias, jogar conversa fora e, bem, escrever, afinal, todos aqui tem uma formação acadêmica, inclusive com algum diferencial. No entanto, parece que o negócio andou engrenando. Propostas de partidos, de candidaturas, ameaças, olhares de soslaio e, às vezes, algum respeito. Deixa estar...


         Mas, voltando ao cerne, parece que o bordão do Muricy faz parte da cartilha da turma toda. Daí você vê um Departamento importante da cidade sendo comandado por um voluntário e tem que calar. O Legislativo faz corpo mole na mobilização contra a Águas de Castilho e o certo é silenciar. O salário do funcionalismo vai ladeira abaixo e o legal é se conformar.
Este texto, muito bom por sinal, falou e demonstrou que nossa posição no ranking do IDHM é vergonhosa se levarmos em conta a vultosa grana despejada aqui, ano após ano, há mais de duas décadas. Apenas demonstramos a realidade e disseram que somos uns linguarudos subversivos, comunistas comedores de Big Mac. Confesso que dei muita risada.
Perdi o fio da meada. O que queria dizer é que parece que só em 2013 o profissionalismo, a probidade, a moralidade no trato com a coisa pública e o trabalho duro chegaram ao Paraíso do Pescador. Decerto vieram a cavalo. Sorte a nossa que durante os quatro anos de coma político e administrativo no qual estávamos serviu pra muita gente mudar e melhorar. Acho que já posso dormir tranquilo e sonhar com o que o Papai Noel vai me presentear no fim do ano. Boa Noite!

Márcio Antoniasi

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Detalhes tão pequenos de nós...



Semana passada o Blog foi vítima de um pequeno “descuido” do jornal O Liberal.  Após ler o excelente artigo “Pobre cidade rica”, do Silvinho Coutinho, publicado em nosso Blog no dia 7 deste mês, um dos correspondentes do jornal condensou as informações do artigo, com pouquíssimas alterações, e enviou para a edição, que as publicou sem os devidos créditos. Ficamos um tanto chateados, afinal, Silvinho desperdiçou um tempo considerável, deixando de se dedicar em sua produção de pirulitos de chocolate para calcular e analisar o IDHM de Castilho e região. Mas, tudo passa... Conversamos com o editor e ele nos pediu desculpa, disse que foi enganado e que se retrataria na edição de sábado. Segundo o opositor Dóri, eles escreveram uma nota sobre nós e o texto do Silvio, quase em rodapé. Eu até transcreveria aqui se Dóri não tivesse rasgado o jornal e forrado o chão para por comida para os seus gatos...

Apesar dessa inocente “reprodução sem créditos”, hoje, contraditoriamente, quero destacar a única ideia original do “resumo” feito pelo Liberal. Dentre as muitas informações do texto do Silvio, há um pequeno detalhe sobre o preocupante IDHM de Castilho: “No maior período avaliado, o prefeito era exatamente o atual, Joni Buzachero”.  Sei que pode parecer perseguição, mas é fato.
No período avaliado, de 2000 a 2010, Castilho esteve 8 anos sob a batuta de Joni. A cidade ficou colorida, com muitos prédios novos e vistosos. Diante disso, muitas pessoas chegaram a considerá-lo o maior prefeito da história castilhense, pessoas de outras cidades, inclusive. Pode até ser, dependendo dos parâmetros e patamares da cidade... Mas, os números não mentem. O desenvolvimento humano, o que mais importa em uma sociedade, foi pífio. A tabela feita por Silvio, comparando os índices e arrecadações de cidades de nossa região que estão em nossa frente, é cruel, porém verdadeira.
Tabela construída com base nos dados do Portal da Transparência

Estando ciente desse pequeno detalhe de nós, é impossível não se sentir desconfortável ao ouvir e ler pessoas tratarem Joni como uma espécie de Sassá Mutema do noroeste paulista, pela declarada política de contenção de gastos que visa a saúde econômica do município para o momento da redução dos royalties de Jupiá, ainda mais se refletirmos que dos cerca de 20 anos recebendo a grana da Usina, o nosso Dom Sebastião esteve com o controle dos recursos por quase a metade do tempo. Pequenos detalhes, grandes questões...
Enfim, não desejo que Joni abra os cofres de forma irresponsável, como já fizeram certas administrações passadas, muito pelo contrário. Entretanto, façamos tudo sem hipocrisia, com uma visão lúcida e crítica, cientes que todos nós somos um pouco responsáveis (alguns mais do que os outros) pelo desenvolvimento humano preocupante apontado pelos índices. Estejamos atentos a todos os detalhes, principalmente aos pequenos, para que não sejamos iludidos por números e manchetes alienantes como esta:


Samuel Carlos Melo

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Os desafios da escola




No programa de mestrado que estudo, há quinzenalmente seminários com professores convidados dissertando sobre algum tema da educação, em especial da educação matemática, curso que faço. Na tarde de quinta feira passada tivemos o seminário com a professora de História, Filosofia e Políticas da Educação da UFSCar, Marisa Bittar, intitulado “A escola do século XX: ideais e desafios”. Resolvi compartilhar as ideias dela aqui no blog porque achei muito interessante, já que  acredito que todos nós consideramos a escola como um fator propulsor, capaz de promover mudanças na sociedade.

A professora convidada inicia explanando sobre os fatos marcantes ocorridos em âmbito nacional e mundial na educação no século XX, como por exemplo, a expansão e democratização do ensino, assim como a crença de que a escola não desempenha um papel de mudança na sociedade, apenas reproduzindo-a.
A certa altura da palestra, a professora sintetiza a respeito de três condições necessárias que uma escola deve ter para que se ocorra transformações efetivas no meio social:
- escola única de tempo integral;
Para ela a escola de tempo integral é a única capaz de promover a igualdade entre todas as classes sociais, como já comprovado em alguns países que se empenharam em um sistema de escola realmente democrático.
Particularmente conheço uma escola municipal em Campo Grande - MS de tempo integral que é referência dentre os colégios municipais da cidade. A escola que atende crianças da pré-escola ao quinto ano propicia disputa de vagas pelos pais aos seus filhos pelo trabalho realizado. E não é para menos, já que a escola oferece ao seu público, aulas de violão, judô, ginástica, dança, inglês, espanhol e xadrez.  
Uma das coisas que me chamou a atenção foi que os professores atuam em dedicação exclusiva à escola, permanecendo com sua turma o dia todo. Assim, há menos desgaste do professor que muitas vezes é obrigado a trabalhar em várias escolas para complementar a renda e ainda, contribui para o acompanhamento do progresso dos alunos na escolarização.
- integrar o ensino profissional com o ensino intelectual,
Segundo ela, enquanto houver o ensino de caráter propedêutico - aquele que se destina a quem vai cursar o ensino superior - desvinculado do ensino profissional, só acentuará as desigualdades sociais. Isso porque, o ensino propedêutico privilegia uma elite e as classes mais desfavorecidas são obrigadas a ingressar no mercado profissional logo após cursarem um ensino médio profissionalizante.
Esse fato é realmente óbvio, transparente, aliás, podemos perceber isso bem de perto, quantos dos nossos colegas de escola cursaram o ensino superior e quantos não continuaram os estudos após o ensino médio? Muitos precisam contribuir financeiramente em casa, não tendo condições de continuar os estudos.
- escola crítica, humanista e democrática.
De fato, a escola sendo crítica, humanista e democrática refletiria tais aspectos na sociedade.
O que podemos concluir é que há muito para se mudar no contexto educacional no país. Percebemos que mesmo com a democratização do ensino no século passado, com todos frequentando a instituição escolar e aparentemente recebendo o mesmo ensino, a escola não é realmente democrática. O modelo da escola atual intensifica as desigualdades sociais, reproduzindo as características de uma sociedade  em que são poucos os privilegiados.

Thaís Coelho 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Castilho, 60 anos: memórias subterrâneas


Captar no pretérito a centelha da esperança só é dado ao historiador que estiver convicto do seguinte: se o inimigo vencer, nem mesmo os mortos estarão a salvo dele. Esse inimigo não parou de vencer. (BENJAMIM, 1991[1]).

Neste dia 10 de agosto de 2013 Castilho-SP comemora seus 60 anos de emancipação política, pois antes este município era um distrito pertencente a Andradina-SP. No entanto, sua história existencial teve início por volta da década de 1920.
Conta a história popular e mais reconhecida como oficial, que tudo começou quando um proprietário de terras, chamado Armel Miranda, decidiu lotear a área onde hoje se localiza a zona urbana do município. O então proprietário residia fora, mas teria dado a seu sobrinho, Antonio de Brito Vieira a missão de cumprir o plano traçado.
Segundo consta, nada havia por estas terras a não ser matas e animais, sendo que o primeiro nome adotado para o vilarejo que surgia foi o de Vila Cauê.
Os mais velhos relatam que nesta época a natureza era dominante e a vida era dura para quem aqui chegava, estas condições afastavam o interesse de empreendedores e trabalhadores. No local onde hoje é a Praça da Matriz era uma área de varzea, onde plantavam arroz e que em dias de chuva os poucos moradores da época costumavam fisgar Lambaris com redes de pesca.
Consta ainda que Armel Miranda teria promovido a construção da primeira igreja da cidade, na tentativa de alavancar a migração de pessoas para o pequeno vilarejo que pouco tempo depois trocou de nome, passou a se chamar Alfredo de Castilho, cidadão que era engenheiro da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB). A intenção era convencê-lo a adiantar a vinda da estrada de ferro para o local. Assim, nos primeiros anos da década de 1930 a Estação Ferroviária era inaugurada. No entanto, Alfredo de Castilho nunca teria visitado a vila com seu nome.
Com a chegada da ferrovia o transporte foi facilitado e o interesse pelo local aumentou. Chegaram novos investidores como comerciantes e principalmente, fazendeiros, estes apoiados na política varguista de integração do território nacional, chamada ‘marcha para o oeste’, que na pratica significava a negociação livre e desenfreada de terras públicas, sem qualquer controle, como fazia a antiga firma Moura Andrade de propriedade do conhecido Rei do Gado.



Foto de placa da Firma Moura Andrade. Ótimas oportunidades para especulação imobiliária.

Esta talvez seja a parte um tanto romântica da história, cujos personagens citados até aqui mereceriam maiores estudos para concluir qual foi o papel e o lugar social que tiveram e ocuparam neste processo de formação do território castilhense.
É a história dos ‘primeiros’ a pisarem este chão, a fábula dos heróis empreendedores, desbravadores de matas com machados na mão que enfrentavam as hostilidades de uma natureza reinante.
É o mito dos Pioneiros, uma forma de ver a história e que muitas vezes coloca no mesmo saco histórico os diferentes personagens de distintas classes sociais.
No entanto, algumas separações são necessárias. Em geral o mundo dos pioneiros procurava exaltar a história dos vencedores, onde  não há espaço para os subalternos, ignoram, por exemplo a existência de índios por estas terras, da etnia Kaingang, cuja domínio territorial se estendia de Bauru ao rio Paraná, conforme afirma a antropóloga Pinheiro (2005[2]) apud Oliveira (2006)[3]. 
O nome, ‘Vila Cauê’, já é um indicio de influência indígena, pois trata-se de uma palavra Tupi de dois significados: o pássaro "gavião" ou a bebida fermentada (ka´wi) que os índios tomam. No conto dos pioneiros não é possível saber, por exemplo, que os índios que aqui moravam foram exterminados para abrir passagem para a negociação de terras.
A história oficial, a dos vencedores, não mostra, mas como imaginar, por exemplo, o Rei do Gado de machado na mão derrubando árvores? Como imaginar os grandes fazendeiros de Castilho-SP com enxada na mão preparando as extensas pastagens?
Nestes contos quase não aparecem o trabalho do camponês arrendatário que veio do nordeste, da Europa, do Japão etc; em busca de oportunidades, atraídos pela promessa de terras fartas, disponíveis a quem quisesse, mas que só encontraram o trabalho em propriedades alheias. Foram estes que, em diferentes regimes de trabalho ou acordos desmataram,  cultivaram e depois de um ciclo tiveram que entregar as terras  já prontas para a pecuária.

Em Castilho havia um antigo morador que testemunhava a todos o início da ocupação destas terras. Não se sabe se com orgulho ou revolta, este cidadão lembrava de seus feitos na empreitada colonizadora por aqui. Dizia que na derrubada das matas e limpeza das áreas, tinha que dormir em buracos, ao lado de fogueiras para afugentar as onças. Este mesmo senhor morreu pobre, passou a maior parte de sua vida recolhendo material de reciclagem pelas ruas da cidade, e com dignidade conseguiu criar vários filhos que até hoje seguem sua mesma profissão.
Entre pioneiros e fazendeiros talvez este senhor seja símbolo daqueles que fizeram outro tipo de história, a dos subalternos e que merecem ser lembrados nesta data.  Mas, mais importante que os personagens aqui citados é entender as razões para que tudo fosse como foi e neste contexto a terra foi o ouro dos desbravadores.
Dóri Edson Lopes


Em tempo: o grupo Os Opositores planeja realizar um trabalho de resgate destas memórias para ser lançado em forma de livro.




[1] BENJAMIM, Walter. Teses sobre filosofia da história. In: Sociologia. São Paulo: Ática, 1991.
[2] PINHEIRO, Niminom Suzel. “Terra não é troféu de guerra.” In: Anais do XXIII Simpósio Nacional de História: História – Guerra e Paz, Londrina: Editoral Mídia, 2005.

[3] OLIVEIRA, Mariana Esteves. O Grito Abençoado da Periferia: trajetórias e contradições do Iajes e dos movimentos populares na Andradina dos anos 1980. UEM, Maringá-PR, 2006. 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Pobre cidade rica

Há mais ou menos uma semana, foi divulgado o Índice de Desenvolvimento Humano por Municípios (IDHM). O IDH foi criado pelo economista paquistanês Mahbub ul Haq (1934-1998), com a colaboração do economista indiano Amartya Sen, Prêmio Nobel de Economia em 1998, mensurando o desenvolvimento humano através da renda total da população do local dividido pelo número de habitantes, pelo grau de escolaridade e pela expectativa de vida ao nascer, dando valores em uma escala de 0 a 1, onde quanto mais desenvolvido for o local analisado mais próximo de 1 o mesmo estará e quanto menos desenvolvido for, mais próximo de 0 ele estará.

O Estado é certamente o maior responsável pelo desenvolvimento humano do local, pois é quem articula políticas públicas que refletem no desenvolvimento de sua população. Se o Estado investe em políticas publicas de saúde a taxa de mortalidade infantil cai, doenças são mais facilmente tratadas, ocasionando um aumento na expectativa de vida. Investindo em educação, o número de alunos na escola aumenta, o analfabetismo diminui e o acesso ao ensino superior fica mais fácil, aumentando o número de anos que o aluno passa na escola. Uma população bem educada e saudável, somada a uma boa infraestrutura, incentivos fiscais ao sistema produtivo, financiamento para investimentos em produtividade, entre outras ações, permitem o crescimento econômico, ocasionando um aumento da renda, criando dessa forma um ciclo interdependente.
O IDH permite a comparação entre diferentes lugares, podendo, assim, ajudar as localidades menos desenvolvidas a se espelharem nas mais desenvolvidas, vendo quais as políticas públicas podem ser aplicadas a cada realidade. Porém, tais políticas demandam recursos financeiros, recursos estes provenientes da arrecadação de tributos. A eficácia (atingir o objetivo) e a eficiência (atingir o objetivo ao menor custo possível) na utilização do recurso alavanca o desenvolvimento do local. Pela lógica, quanto mais recurso disponível para utilização por parte do poder público, mais fácil será criar as condições para o desenvolvimento humano, correto?
Não, se estivermos falando de Castilho...
Dados retirados do Portal da Transparência
Conforme visto na tabela acima, a arrecadação per capita de Castilho (arrecadação dividida pelo número de habitantes é de aproximadamente R$3.888,00) e, segundo o relatório do PNUD, o IDHM de Castilho é de 0,731, sendo, então, a 993ª cidade mais desenvolvida do Brasil. Vamos, agora, comparar os números de Castilho com outras cidades da Região.
Ilha solteira, com uma arrecadação per capita 8,4% maior (R$4215,38), conseguiu o feito de ser a 18ª cidade mais desenvolvida do país, com um IDHM de 0,812 pontos. Quer mais? Araçatuba, com uma arrecadação per capita quase 42% menor que a de Castilho (R$2250,85), conseguiu ser a 76ª cidade mais desenvolvida do país, com um IDHM de 0,788 pontos. Vamos mais perto? Andradina, com uma arrecadação per capita cerca de 50% menor (R$1948,16), é a 141ª mais desenvolvida, com um IDHM de 0,779 pontos. Até Mirandópolis, mesmo com uma arrecadação per capita quase 55% menor (R$1767,04), ficou bem melhor colocada no ranking que Castilho, obtendo a marca de 526ª cidade mais desenvolvida do Brasil.
Com base nisso, podemos dizer que há duas possibilidades. Ou os recursos em Castilho estão sendo desviados ou mal aplicados, já que cidades com muito menos recursos disponíveis do que Castilho conseguiram resultados bem melhores, ou existe alguma outra explicação para este cenário?
Seja por corrupção ou incompetência, o problema esta aí e precisa ser resolvido. Se for por corrupção, os responsáveis devem responder por seus crimes devolvendo o dinheiro e presos, já que, até onde eu sei, roubo é crime. Se for por incompetência, mudanças devem acontecer para garantir um uso mais eficiente do erário público, afinal, são mais de 20 anos que Castilho recebe gordos royalties da geração de energia e ainda assim os números são sofríveis e vergonhosos.

Já propus em outro texto a criação de um grupo para ajudar na gestão de recursos, porém acho que não há interesse por parte dos políticos de uma maior participação dos populares na administração das finanças e, diante dos números apresentados, isso me faz questionar o porquê dessa falta de interesse. Será que existe algum motivo???

Silvio Coutinho

domingo, 4 de agosto de 2013

O insustentável peso do nada


                Aôôôô!! Moçada apaixonada de Castilho, aqui quem fala é o Juliano, opositor exilado nos rincões de Mato Grosso, mas com o coração apertado de saudade docês. Uma semana que estou aqui e uma semana que não durmo direito de tanta saudade e... calor.
                Bem, chego aqui e ouço falar dessa tal 21ª Expoeste, festona da boa aqui de Pontes e Lacerda. Eu, que aí em Castilho, nunca fui de cair nessas ciladas, aqui, longe de Willians, Samuel e do resto da roda de escarnecedores que me acompanhava, não tinha outra opção. Era ir ou fritar (literalmente) na quentura agradável desse cerrado, dentro do meu quarto-e-cozinha. Show de abertura, do dia 03 de agosto, era do casal 20 do sertanejo universitário, Maria Cecília e Rodolfo. Eu fui. E como bom opositor, vou agora cuspir no prato que comi.
                Horror! Horror! Horror!, dizia o Coronel Kurtz, em Apocalipse Now. Pois eu digo, Nada! Nada! Nada!. O insustentável peso do nada sob minha cabeça, achatando meu pescoço. Negócio é o seguinte: se você sai com seus amigos, vai num barzinho, toma um chop, come uma porção, você teve um momento de entretenimento agradável. Mas se você está num lugar no qual ou você senta numa arquibancada de concreto ou tem que ficar em pé na areia da arena, a coisa não é tão agradável assim. Só uma coisa justifica isso: um bom show, a boa arte que sempre nos alimenta e nunca nos enfastia.
                E arte não houve na noite de ontem. E não digo por mim, que não curto essas raves de sertanejo universitário. Digo pela observação que fiz do público. No ínicio do show, gritos histéricos e arena cheia. 10 minutos depois, a maioria nem olha mais para palco. Ou enchem a cara ou tiram fotos para o facebook. Fotos, aliás, que sempre parecem tão divertidas. Depois de um tempo, arena pela metade. Gente indo embora reclamando do show. Gente muito bêbada, alheia ao que acontece no palco. Reclamam que estão tocando romântico, querem arrocha. Toca-se. Depois... Tim Maia.. algum clássico sertanejo do Chitão e Xororó.  Há alguns interessados, esses perto do palco. Mas, somados, dá o mesmo público que curtia também de perto do palco o show do Tremendão em Ilha. Eu estava lá.
                E assim ficamos. A maioria do público não se interessa,mas ri um riso histérico para disfarçar o mesmo tédio que eu estou sentido.  É o casamento perfeito entre um público desinteressado, mas festeiro, com um “artista” doutrinado para capitalizar em cima dessa gente. Todo mundo sai feliz. Esses dias meu confrade Samuel disse que o novo filme do Super-Man dava sono de tanta ação que tinha. É isso. Entretenimento sem arte dá sono. Ainda que seja um sono agitado e barulhento, dormido numa arena de rodeio. É um vazio volumoso. Um prato imenso de isopor.

                Hoje tem mais e eu estarei lá. Fazer o que. Quem sabe ganho uma moto no bingo.

                                                                             Juliano Cardoso

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Troque um livro djá!




Muitos de vocês já sabem que tá rolando o 1º Estação Cultura de Castilho na antiga estação ferroviária. O objetivo principal do evento é contribuir para o tombamento da antiga estação do município e ainda propiciar apresentação de artes, poesia e boa música aos castilhenses.
Além do evento que ocorreu no sábado e que teve um ótimo resultado, uma das coisas mais interessantes foi a troca de livros. E era cada livro que estava disponível! Machado de Assis, Agatha Christie, Tolstói, Whitman, entre outros. Dostoiévski foi motivo de muito olho gordo. Devo afirmar que só estavam os bons lá. E o legal foi que você pôde contribuir com isso e possibilitou que alguém conhecesse a obra de grandes mestres mundiais.
Gente, isso é emocionante, de verdade! Não é só simplesmente a troca de livros, a coisa material. É troca de experiências!
Essa ideia dos companheiros Opositores me fez lembrar uma página que curti muito no Facebook, chamada Leve Este Livro. A descrição da página diz que é uma força-tarefa para promover uma virada no Brasil até a copa de 2014. E o esquema funciona assim: escreva uma dedicatória em algum livro e simplesmente o “esqueça” em algum lugar público. Não é incrível?! Na página dá pra ver algumas dedicatórias nos livros doados aos seus novos leitores.
Sei que é difícil se desapegar de um livro querido, especialmente quando ele te marcou de algum modo, ou porque a capa é bonitinha, ou porque ele é um clássico etc. Mas vamos ampliar o uso de nossos livros ao invés de deixá-los guardados na estante ou largados em algum canto de casa. Ainda dá tempo! Hoje a noite tem o encerramento do 1º ECIC e você pode trocar um livro e ampliar o seu repertório cultural e o de muita gente também. Vamos fazer uma força-tarefa cultural em nossa cidade!

Thaís Coelho