domingo, 28 de agosto de 2016

Sobre quem vou votar nas próximas eleições

Primeiramente, Fora Temer...
Segundamente, tenho algumas certezas na vida. Uma delas é a certeza da morte, outra é que até o fim da eleição muita gente vai brigar por causa de divergência política.
Assim, todo aquele que se posiciona na defesa de um partido, candidato ou ideologia, tende a enfrentar oposição, crítica, ofensa, entre outras coisas. Isso se dá pela paixão envolvida no contexto político, em parte, e também pelos benefícios que a vitória traz para aqueles que vestem a camisa e trabalham para um candidato, seja com nomeação em cargos ou influência e livre acesso para obtenção de benefícios pessoais nas esferas tuteladas pela administração pública.
Pensando nisso, como participar no contexto político, sem os dissabores da tomada de partido?
Não sei exatamente responder a isso, mas tenho tentado conversar com as pessoas em meu ciclo de amizades, explicando sobre política, a importância que a mesma tem na vida do cidadão, e o que cada ente da administração pública faz.
Sempre ao ver uma promessa de um vereador que diz que vai dar aumento para funcionários públicos, ou vai construir uma creche em um determinado bairro, asfaltar rua, esclareço que vereador nenhum tem esse poder, pois a ele cabe legislar, fiscalizar, cobrar, mas não executar.
Da mesma forma, quando vejo um candidato ao executivo prometer uma série de coisas que gastam tempo e muito dinheiro, além de depender de outras esferas como a estadual e federal, esclareço que tal promessa é infundada, e explico exatamente o motivo de tal promessa não ser viável ou possível de ser aplicada na pratica. Assim, tenho caminhado nessa campanha, silenciosamente, sem expor preferências, ou pelo menos, tentando não expor um lado.

Mas será isso o suficiente? Não sei...
A única coisa que sei é que, tanto a candidata Fátima, quanto o candidato Paulinho, enfrentarão um momento delicado, com probabilidade de queda da arrecadação, tanto em questão da Usina, bem conhecida do Castilhense, quanto pela diminuição de repasses das esferas estaduais e municipais, que estão enfrentando queda de arrecadação pela crise econômica e política que enfrentamos, aliado a propostas neoliberais que estão as vistas de serem aprovadas, que poderão diminuir repasses em saúde e educação, o que seria uma bomba para o futuro (a) prefeito (a), pois debilitariam os já ruins serviços públicos, fato esse que poderia causar uma perda de popularidade para a futura administração municipal.
Outro problema é que o Tribunal de Contas tem recomendado a extinção de Cargos Comissionados, apontando favoravelmente para a troca por Funções Gratificadas, ou seja, funcionários efetivos. Sem os cargos de comissão, o apoio de alguns daqueles que vestiram a camisa por interesses particulares seria minado, transformando os em ferrenhos opositores.
E quanto ao funcionalismo público? Administrar sem ferir a lei de responsabilidade fiscal, que estipula um teto para o percentual gasto com folha de pagamento e ao mesmo tempo garantir a valorização do funcionário público exigira muito diálogo, negociação e transparência, coisa que faltou na administração atual. O futuro administrador deverá ter jogo de cintura e inteligência para garantir ao menos o minimo de satisfação da classe que move a administração pública que são os trabalhadores.
Diálogo é algo que o futuro representante da administração pública deverá ter, pois a sociedade anseia em ser ouvida. Hoje as demandas são muitas, e um governo fechado em si mesmo, não terá representatividade para alcançar a satisfação popular.
Administrar com menos recursos e atender tais demandas exigira capacidade e eficiência administrativa, buscando meios de economizar em áreas supérfluas e menos necessárias, priorizar eventos e ações que demandem pouco investimento e causem um impacto mais duradouro, beneficiando um numero maior de pessoas torna se essencial.
Utilizar espaços já disponíveis ao invés de construção de novos, interligando cultura, lazer, educação, tudo ao mesmo tempo, algo complicado, mas possível com um pouco de vontade e criatividade.
Utilizar a sociedade civil, artistas, igrejas, instituições, associações, comércio, empresários, através parcerias entre o público e o privado, dando agilidade e maior abrangência as ações públicas.

Poderia colocar muitas outras coisas que acredito serem necessárias a Fátima Nascimento ou ao Paulo Boaventura, mas não quero mais tomar o tempo do leitor.
Ao fim, só quero com esse texto, mostrar ao leitor, eleitor, que o futuro prefeito ou prefeita de Castilho deverá estar preparado para o que há de vir. Não só ele, mas todo seu grupo de apoio devera contar com pessoas capazes, por que nada é tão ruim que não possa piorar.
Se a administração Joni, com mais recurso disponível não foi das melhores, imagina nesses próximos anos com menos recurso disponível. Aliar desenvolvimento social e crescimento econômico em uma época em que o país como um todo esta estagnado será um tanto quanto complicado, pois exigirá muito trabalho e inteligência do gestor público e seus colaboradores.  Então, não jogue seu voto fora, pois estará piorando a cidade para você, seus filhos, parentes, amigos e para mim também,
Por favor, vote em quem você tenha certeza que será capaz de enfrentar todas as adversidades que estão por vir, alguém que possa encontrar soluções para manter essa engrenagem na qual todos estamos. Vote em quem diz o que pretende fazer, mas principalmente, como pretende fazer. Dizer que vai fazer asfalto, dar empregos, trazer empresas, dar casas, fazer as Olimpíadas em Castilho é fácil, agora, mostrar como irá fazer, e de onde ira tirar dinheiro isso é bem mais difícil.

Para a Câmara de Vereadores, vote em um candidato que prometa fiscalizar as ações do prefeito ou prefeita,  que vai ser favorável a projetos que sejam benéficos ao município e contrario aos que ferem o interesse público,que diga pra você que qualquer projeto que envolva custos a administração pública não pode ser feito por ele, que vai lutar para trazer as sessões da Câmara para a noite, para que você possa ir sempre que desejar participar. Fuja de candidatos que prometem até uma vaga no céu pra quem vota nele, eles estão tentando te enganar. Nem precisa dizer pra fugir dos que te oferecem dinheiro, cerveja, churrasco, etc. Vote em alguém com um histórico de honestidade, pois, mesmo que não seja possível ter plena certeza de que o mesmo não vai se corromper com o poder, é melhor votar em alguém que não seja um corrupto conhecido.  
Então, dia 02 de outubro, vote em.... Você decide, mas por favor, decida bem...

Silvio Coutinho

domingo, 10 de abril de 2016

DEMIS, LULA E O IMPEACHMENT

Voltei. Mentira, tô bem longe de Castilho. Porém, pra variar, o cenário político de nossa cidade continua tão insólito que o silêncio tornou-se insuportável, mesmo à distância. Como de costume, tentarei estabelecer uma relação absurda, mas que, por isso mesmo, faz muito sentido.

A atual crise política é fruto de um jogo bem sujo, porém bastante conhecido por nós. Todo mundo já ouviu falar em caixa 2, compra de votos, presentinho de empresas a políticos como retribuição por seus serviços prestados. Em Castilho, é muito comum conversas do tipo, sobre supostas práticas corruptas: “para se eleger, fulano gastou 100 mil comprando votos” ou “empresa tal investiu em determinados vereadores só pra ganhar a concessão”. Em Brasília, pior ainda. Sempre há acusações desse tipo, mas nunca são comprovadas ou, ao menos, denunciadas, permanecendo obscura a atmosfera política. 

A Lava Jato criou um ambiente de moralidade no país. De supetão, o judiciário (uma das instituições que menos funcionam no Brasil) assumiu o papel do Juízo Final, Sérgio Moro o de messias moral (Moro messias moral). De uma hora para outra, a corrupção passou a escandalizar, como se fosse uma moda criada pelo PT e, especialmente, por Lula. Este, por sinal, foi eleito o Judas da classe média: teria ganho um triplex, teria ganho um sítio com uns pedalinhos.

Não duvido que Lula tenha ganho esses presentinhos e feito coisa errada. Mas, o que me assusta, é que o querem preso não pelo que ele fez de ruim, mas pelo que ele fez de bom. Grande parte dos reacionários que berram em minha timeline têm usado essas acusações do triplex e do sítio pra dar início a uma tempestade de rancor contra as medidas (mínimas, por sinal) de tentativa de equalização social, como “bolsa família”, tudo regado a piadinhas em relação à baixa escolaridade do ex-presidente, a ausência de um dedo nas mãos e, principalmente, sua origem nordestina.

Com Dilma não é diferente. Fala-se das tais pedaladas fiscais como um crime terrível (99% dessas pessoas só conhecem as pedaladas do Robinho) para, em seguida, deflagrarem a misoginia: “essa mulher feia não pode governar nosso país!”. Pra piorar, é uma mulher feia que tem como mentor um nordestino sem dedo.   O rancor é tão grande e o preconceito é tão claro, que o fato de que os líderes do impeachment estejam até o pescoço envolvidos no esquema de corrupção que a Lava Jato investiga (Aécio citado mais de 6 vezes, Eduardo Cunha sendo o único réu com mandato, acusado de ter dinheiro pra comprar 500 mil sítios escondido em contas por aí) não incomoda os defensores da moral nacional.

Resumindo: a luta contra a corrupção é só um pretexto. Lula preso e Dilma impeachada, a Lava Jato some da mídia, vai pra gaveta e voltamos a ser um país lindo, branco e cristão.
Créditos da foto: Moisés Eustáquio

O caso do vereador Demis do “Balcão de Emprego” ou Demis “Cantor” (que era muito melhor que o vereador) é interessante. Demis está longe de ser Lula. Muito longe. Demis é um coitado que, a partir de sua popularidade e da aliança com uma figura bastante contraditória da cidade, conseguiu uma cadeira na câmara.

Conheci o Demis “Cantor”, um rapaz simples, em busca de uma ascensão social, ingênuo em relação ao sistema político, uma espécie de Lazarillo de Tormes castilhense. Quando o “Cantor” passou a ser o do “Balcão de empregos” e, consequentemente, o Vereador, por mais que tenha tido lições com quem o ajudou a se eleger, adentrou ao sistema carregando ainda muito da ingenuidade do “Cantor” em sua busca de ascender socialmente. Traído por seu assessor, revelou uma suposta prática daquelas que se comenta nos botecos e esquinas de Castilho, mas que ninguém consegue provar. Não só revelou que ele teria aderido a esse sistema, como também afirmou que “todo mundo faz isso”, segundo os trechos que tive acesso.

Agora, está sob os olhos da moralidade de seus pares...

Se Demis errou, tem que responder por isso. Se comprovado, dificilmente não perderá o mandato. Perderá o mandato, perderá a dignidade, porém, o “todo mundo faz” permanecerá nas conversas de boteco e nas esquinas da cidade. Demis pagará sozinho por ter sido/ser o “Cantor”.


Samuel Carlos Melo

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Pra dizer que não falei da crise

Ontem, dia 09/09/2015 vimos dezenas de reportagens tratando sobre a perda do grau de investimento do Brasil pela agencia de analise de risco Standard & Poor's. Isso significa que esta agencia vê o Brasil como um local com problemas de liquidez (condições de arcar com o pagamento da divida pública) sendo assim mais propenso a um calote, trazendo assim uma maior taxa de juros esperada para empréstimos futuros, para compensar o maior risco.
Essa noticia, soma-se a outras que nos bombardeiam diariamente, como a elevada inflação (9,53% nos últimos 12 meses), os juros pornográficos de 14,25% ao ano que só serve para deixar banqueiro e especulador mais rico, a queda esperada do PIB em mais de 2% esse ano, queda na arrecadação da União, Estados e Municípios que devem gerar um deficit nominal (diferença entre o que se arrecada e o que se gasta) acima de 7% do PIB, ou seja, vem mais emissão de títulos da divida publica pra custear esse monstro. A taxa de desemprego também cresceu nesse Black Year de 2015, que alcançou 7,5% em julho e o salário médio também caiu, 2,4% a menos que no ano passado.
Vendo a mim, constantemente acusado de Petismo trazer tanta noticia ruim ao mesmo tempo, você deve estar pensando "Ou ele enlouqueceu, ou vai ser o mais novo garoto propagando do #foraDilma". Ou então vai dizer "Não era este que dizia que não havia crise no Brasil?"

Pra decepção sua, afirmo que não serei garoto propaganda e muito menos vou admitir que algum dia eu falei que não tinha crise no Brasil. O que eu defendia e defendo ainda é que esta não é a maior crise da história do país, como é passado por ai. Se você olhar na história, com um olhar racional, verá que tivemos momentos muito piores no passado. Já ouço os mimimis, dizendo que sempre venho com essa de como era nosso passado pra justificar o presente, mas te pergunto, pra que serve a história senão pra olharmos e compararmos o ontem com o hoje?
Se você der uma olhada na internet verá que 2002,  a taxa SELIC estava em 25%, maior que os atuais 14,25% (que já é um absurdo) e ainda assim naquele ano a taxa de inflação foi de 12,53%, bem maior que a projetada esse ano em 9,53%. Ainda sobre os juros, já tivemos juros de 45% em 1999, três vezes mais que a atual.
Vamos falar sobre inflação? Está alta, sim, 9,53% ano é bastante, mas o que dizer de 2477,15% no ano de 1993?
Desemprego? Ta alto? Muito... Mas e os 12,3% de desempregados em 2003? Bem mais alta, né?
Ah, a divida pública ta estratosférica, concordo, hoje temos uma divida liquida correspondente a 34,9% do PIB, mas o que dizer dos 60,4% do PIB no ano de 2002, taxa recorde histórica?
Ficaríamos horas aqui, mas melhor mostrar posteriormente pra quem tiver curiosidade de saber, basta me pedir e eu mostro todos os dados históricos.
Como disse, não venho defender governo, nem Dilma, mas elucidar um fato que tentam deturpar, para que a sociedade creia que essa é a pior crise econômica de todos os tempos. Estamos em crise, grave por sinal, mas ainda há tempo de sairmos disso, não estamos ainda no nível do pré-sal!

O fato é que toda essa propaganda negativa vai criando na mente das pessoas um medo exacerbado, que só faz piorar a situação. Se a mente estiver negativa, a economia refletirá essa lógica, pois quanto mais o consumidor temer, menos irá consumir, com medo de perder o emprego ou não ter condições de arcar com dividas,consumindo menos, haverá recessão, havendo recessão, o empresário investirá menos e empregos serão cortados, formando um ciclo vicioso. O governo arrecadará menos e gastará mais, e como somos um país extremamente dependente do estado, sofreremos as consequências dessa queda, principalmente os mais pobres.
Não podemos deixar de consumir, e sim racionalizar os gastos. Se você sai pra comer todo fim de semana e come o lanche mais caro e bebe a cerveja mais cara, não diminua as vezes que você sai e sim coma um lanche um pouco mais barato e uma cerveja um pouco mais barata, pois vai estar economizando e por estar consumindo em quantidade vai garantir o emprego do garçom, além do lucro do dono da lanchonete. Ao invés de comprar uma camiseta por R$80,00, pegue duas de R$40,00 na promoção, aproveite os descontos, pechinche, negocie nas compras à vista, renegocie empréstimos nos bancos com menores taxas, viaje para dentro do país e não pra fora entre outras coisas que pode ser feita para minimizar os efeitos da crise, pois se todo mundo parar de consumir, ai que ela se torna a pior crise da história do mundo moderno mesmo.
Não é o fim do Brasil, isso eu creio e espero, porque independente de governo procuro ser realista e otimista.
Estamos doentes, precisamos de remédio, mas também precisamos nos alimentar, senão, morreremos.
O discurso do "quanto melhor, pior" só interessa á políticos que querem o poder e veículos midiáticos que tem interesses financeiros com esse novo governo. Se o barco afundar, nós afundaremos com ele.
O rico pode tirar seu rico dinheiro da atividade produtiva para o capital financeiro especulativo e continuar rico e nós, como vamos nos manter sem os empregos frutos dessa atividade produtiva? Pense nisso..

terça-feira, 8 de setembro de 2015

"Ilhas de investimento”: a $olução para os afogados do mundo


“Há uma luz no túnel
Dos desesperados
Há um cais de porto
Pra quem precisa chegar”

O cinismo de certas personificações do capital parece não ter limites, nem mesmo em meio à tragédia. Quem conhece o mínimo de história sabe que o tipo de “solução” estapafúrdia proposta Naguib Sawiris de comprar uma ilha da Grécia ou da Itália para servir de casa aos milhares de homens, mulheres e crianças que fogem da Síria e de outros conflitos,  não tem nada de inovador. 
O campo de refugiados de Za'atari, segundo maior do mundo

       Trata-se da mesma lenga-lenga que deseja “resolver” os problemas graves “dos afogados do mundo” sem tocar nas causas imanentes, justamente porque um ataque às causas colocaria em pauta questões relacionadas aos problemas estruturais de um sistema que, se no passado trouxe certos benefícios (e aqui é bom lembrar a discrepância na divisão dessas benesses), nos últimos quarenta anos tem minado praticamente todas as conquistas daqueles que, ao longo de suas vidas, “nadaram/nadam” em meio à degradação e a precarização. Ou seja, aqueles que lutaram/lutam para não morrerem nas praias da barbárie da vida cotidiana.           
A ideia de um capitalismo cujas personificações aparecem como indivíduos bem intencionados e solidários é, no mínimo, uma falácia perversa. Isso porque desconhece completamente o papel destas mesmas personificações dentro da (des)ordem sistêmica mundial. Ignora a cota de responsabilidade destes mesmos “bem aventurados” que, agora, em meio à comoção mundial, surgem como “heróis” dos deserdados do mundo. Agora pretendem “ajudar o povo” com mesmos os recursos que foram de antemão surrupiados da grande maioria!
Concomitantemente, tais ideias ocultam o papel “funcional” dessa gente na “lógica” capitalista. Uma lógica em que a “mobilidade arrasadora” joga os seres humanos de um lado a outro sem considerar as consequências negativas, impondo à estes, o que na geografia alguns costumam denominar de des-re-territorialização. Um neologismo barato que tenta dar nova explicação, dentre outras coisas, para o eterno movimento potencialmente destrutivo imposto pelo capital (desde sua gênese), à maioria dos indivíduos que são varridos de um lado a outro conforme as demandas e exigências da acumulação e expansão de capital. A correlação desigual entre capital e trabalho, nesse processo, caminha pari passu à dinâmica da luta de classes. E nesse sentido, o papel das classes capitalistas e suas devidas personificações não pode ser ignorado, isso tanto nos planos nacional, como internacional. É bom lembrar que a mobilidade do trabalho está ligada à mobilidade arrasadora do capital!
            Por isso, “foco-soluções” como a desse Naguib Sawiris, assim como muitas outras que já foram idealizadas, quando postas em prática, estão fadadas ao fracasso, pois mesmo quando “funcionam”, elas têm um efêmero prazo de validade, já que necessariamente não estão atreladas a um processo amplo e contínuo de mudanças estruturais/sistêmicas, ao contrário, pretendem “desafogar” temporariamente o sistema de suas contradições (Maiores informações, vide Brasil!)
            
Assim, não é nada espantoso que a adoção deste tipo de “ideia inovadora” por parte dos “caridosos” homens e mulheres de bem (dispostos a “compartilhar” as suas fortunas) e abraçada rapidamente por alguns desavisados, transformarem-se, como de costume, em práticas extremamente rentáveis. As ONGs são um bom exemplo nesse sentido.       
Não por acaso, Sawiris sinaliza para o fato da necessidade de “investimento em infraestrutura". De modo que haveria "abrigos temporários para as pessoas e elas poderiam ser empregadas para construir habitações, escolas, universidades, hospitais". Mas, correndo o risco de pedantismo, algumas questões surgem a priori. Por exemplo, de onde viriam tais investimentos? De onde viriam os meios de produção para esses novos empregados construíssem essa sua nova sociedade-ilha? Quem fará tal controle do que será produzido e distribuído nessas ilhas? Quem se apropriará do mais-valor (se é que ele existirá nessas ilhas de fantasia)? Como será feita a realocação dessas pessoas, quem o fará ? Serão consultadas antes de serem simplesmente jogadas nas ilhas? Enfim, estas são só algumas das inúmeras questões que surgem e que nem sequer são formuladas pelos apologistas
No fundo, o que o bom samaritano Naguib (ingênuo devido o seu coração solidário) faz ( sem saber?) é abrir caminho para a possível criação de “Ilhas de investimento” em meio aos “oceanos” de degradação humana e natural.
       Tais ideias só conseguem comover os corações e mentes daqueles que de alguma maneira já estão devidamente “adaptados” e “amoldados” a um modo de pensar estritamente monetário. Para eles e elas, as “$oluções” devem ser pensadas sempre dentro dos limites da própria ordem, jamais para além dela. São como certos cães que, ao correrem atrás do próprio rabo, imaginam que conseguirão alcançá-lo! Para estes senhores e senhoras, basta uma mão caridosa aqui e ali (por parte dos ricos) e tudo se resolverá gradualmente, mesmo que, nesse meio tempo, isto signifique ter que desviar dos cadáveres que se avolumam tanto na terra como no mar!


André Amorim 07/09/2015

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Castilho-SP na Era das Terceirizações

          Semana passada a classe trabalhadora do Brasil sofreu um duro golpe. A Câmara dos Deputados aprovou um antigo Projeto de Lei nº 4.330 criado em 2004  pelo Deputado Sandro Mabel, ex-proprietário da fábrica de biscoitos "Mabel".
          Este projeto permite a terceirização de todas as atividades de uma empresa, industria, fábricas, comércio, etc. Hoje a lei proibe que atividade-fim seja terceirizada. Ou seja, em uma fábrica de celulose os funcionários que trabalham diretamente na produção de celulose não podem ser contratados por uma empresa terceirizada. Em fabricas assim constuma-se terceirizar atividades de limpeza e trasnportes.   

          A chamada PL 4330 permitirá ainda a liberação da terceirização de setores do serviço público, como em Prefeituras, Governos estadual e federal. Este projeto ainda vai ser votado no Senado, e se for aprovado pelos Senadores terá ainda de ser aprovado pela Presidência da República, no caso, a Presidenta Dilma.
          Está provado que as terceirizações resultam em precarização do trabalho. Já se sabe, por exemplo, que nas terceirizações o salário de trabalhadores terceirizados é 24% menor do que dos empregados formais, ou ligados diretamente à empresa matriz. Se sabe também que os terceirizados trabalham três horas a mais por semana, que são os que mais sofrem acidentes de trabalho, que são os mais marginalizados tendo direitos trabalhistas surrupiados, dentre outras mazelas que várias pesquisas comprovam.
          Por tudo isso o trabalhador tem pavor da possibilidade de ser um terceirizado e torce para que esta lei não seja aprovada. No entanto, em Castilho-SP essa lei já é quase uma realidade. É possivel observar que tem trabalhador castilhense prestando serviço terceirizado em empresas de Andradina-SP, de Três Lagoas-MS e até mesmo de Castilho-SP.
       O que chama atenção é que a instituição que mais deveria evitar este tipo de precarização do trabalho parece ser a que mais a promove em Castilho-SP. A Prefeitura vem há anos terceirizando diversos serviços que tem obrigação de prestar.
       Começou com a terceirização de transporte de alunos universitários para outras cidades da região e que em 2014 custou mais de R$ 2 milhões. Depois passaram a terceirizar as obras o que rendeu fortuna a uma empresa da cidade. Chegou-se a terceirizar até mesmo o zelamento de um rancho com denuncias de que a empresa responsável pelo local recebia um alto valor para isso, mas pagava salário irrisório ao vigilante do local. No inicio de 2010 veio o grande golpe, a terceirização do serviço de água e esgoto, que demitiu funcionários e onerou a população com elevadas taxas.
             E agora, justamente na semana que mais se discuti terceirização-precarização do trabalho no Brasil, vem à tona noticias de que vão terceirizar a limpeza das ruas da cidade, além da intenção de contratar um consorcio para terceirizar um serviço que ainda nem é obrigado a fazer, qual seja, a manutenção da iluminação pública.
            As justificativas para tudo isso são muitas. Algumas compreensíveis como falta de estrutra, leis, etc. A mais comum é que funcionário público não trabalha porque não pode ser mandado embora, então é melhor terceirizar. Ou seja, ou é 8 ou é 80. Ou se tem direitos, ou não se têm. Parece que não existe meio termo.
              Independente dos motivos, quem mais ganha com as terceirizações é justamente quem menos trabalha, ou seja, só invertem os conceitos para beneficiar uma meia dúzia de gente influente, basta ver a fortuna que os donos dessas empresas acumulam sentados atrás das mesas, apenas negociando contratos.
              Por tudo isso, há de se perguntar: Será que o salário do futuro Gari que varrerá as ruas de Castilho-SP é compatível com o desgate deste tipo de trabalho? E, principalmente, será compatível com os ganhos da empresa terceirizada? Será que terão seus direitos respeitados? 
            Mas, o mais preocupante é que se a PL 4330 for mesmo aprovada e toda esta dinâmica continuar em Castilho-SP, pode-se acreditar que corremos sérios riscos de ver o fim dos concursos no município para Professor, Motoristas, Merendeiras, Escriturários, Agentes, etc, etc. Quem duvida?
             


Dóri Edson Lopes
Mestre em Geografia, Funcionário Público Federal e Comunista.

            

sábado, 7 de março de 2015

Terceirização do Transporte de Estudantes Custou para Castilho mais de R$ 2 milhões em 2014

A questão do transporte gratuito de alunos castilhenses para cursos Técnico e Superior em cidades da região causou muita polêmica nas últimas semanas em Castilho-SP.
Com o propósito de economizar, ficou decidido que a Prefeitura de Castilho-SP não vai mais bancar sozinha uma empresa particular que leve e busque os alunos nas portas das faculdades de Araçatuba, Adamantina e Ilha Solteira. Além disso, de agora em diante, alunos que estudam em cursos de faculdades e escolas técnicas de Andradina e Três Lagoas terão seu transporte feito pela empresa Reunidas, sendo que neste caso a Prefeitura vai subsidiar parte da metade do passe que os alunos tem direito junto à Reunidas.
O principal argumento para esta mudança é uma possível crise de arrecadação que passa o município, não sendo mais capaz de pagar os valores que eram pagos antes para a empresa que prestava este serviço aos estudantes.
Em meio às discussões veio a publico os valores que foram gasto em 2014 pela Prefeitura com o transporte de alunos. Segundo o Portal Transparência da Prefeitura Municipal, Castilho-SP gastou mais de 2 milhões de reais com transportes terceirizados de alunos do município.
Fonte: http://186.194.190.139:5659/transparenciaweb/DespesasPorEntidade.aspx

O site não especifica, mas sabe-se que neste valor estão inclusos o transporte não só de alunos de cursos superiores e técnicos que estudam fora de Castilho-SP, mas também o transporte de alunos do ensino médio e fundamental que moram na zona rural do município.
Além disso, o estudante do curso de Direito da Aems, Uederson Aragão, publicou em uma página do Facebook o contrato da Prefeitura com uma empresa responsável pelo transporte de estudantes para outros municípios da região.

Segundo consta neste contrato, este serviço de transporte de alunos é cobrado por percurso e não por Kilometragem. Assim, o preço cobrado para dois ônibus irem para a cidade de Andradina-SP é de R$1.264,00, ida e volta, por dia, ou seja, R$ 632,00 para cada veículo por dia. Considerando que a distancia do centro de Castilho ao centro de Andradina seja de 20 km, o preço da kilometragem sairia em torno de R$ 25,00.
Para a Ilha Solteira um ônibus ao preço de R$ 530,00, ida e volta em  cinco ônibus para Três Lagoas ao valor de  R$ 2.264,00, ou seja, R$ 452,00 para cada veículo por dia.
Os valores assustam e fica difícil imaginar até onde compensa a terceirização de um serviço deste. Tanto que, a fim de economizar, o Departamento de Educação anunciou a compra de ônibus para fazerem o transporte de alunos da zona rural que antes era feito por empresa privada.
Assim, neste caso a questão que se apresenta não é propriamente a crise de arrecadação, mas sim a prestação de um serviço público terceirizado a uma empresa que cobra muito caro.
Existem muitas dúvidas sobre a crise econômica que passa a Prefeitura de Castilho-SP. Existem também muitos argumentos contra e a favor da gratuidade do transporte de alunos castilhense para Universidades e Escolas Técnicas da região. Mas, uma certeza que todos devem ter é que o transporte terceirizado com os valores que foram apresentados, realmente não cabe no bolso de uma Prefeitura, mesmo que não haja Carnaval, como muitos propuseram. 
Espera-se que com a grande economia que vão passar a ter com o novo modelo adotado, haja investimento no setor de transporte público e gratuito da cidade. 


Dóri Edson Lopes  

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Barros de Castilho


Publiquei há alguns dias a foto acima, tirada por mim ao trocar o filtro de um purificador de torneira que uso para filtrar a água utilizada no preparo de alimentos.  Ao tirá-lo, pude notar a grande quantidade de terra que tem vindo junto com a “água nossa de cada dia"  e isso deixou-me intrigado. Afinal, estamos bebendo águas de Castilho, ou “barros de Castilho”?
Sei que pela “pechincha” que pagamos pelo “excelente” serviço prestado pela empresa Águas de Castilho, não podemos exigir muito, afinal os pobres coitados investiram pesado (só não se pode dizer onde) em nosso município, mas pedir que a água esteja ao menos livre de terra é muito?
Já ouço dedos digitando “cadê aquele grupo Fora águas de Castilho, do qual aquele que nos escreve fazia parte?” “Será que ganharam alguma coisa para fechar a boca?”.
A resposta é que o grupo desde sua criação se reuniu por varias vezes, tentando encontrar soluções, algumas delas até radicais, porém, sempre com as mesmas caras. Não notamos, em nenhum momento, a presença dos “corneteiros de plantão” que amam protestar em redes sociais, no conforto de sua cama, cadeira ou sofá.
Este grupo cobrou diversas vezes as promessas feitas pelos vereadores eleitos, que ganharam seus cargos criticando os que estavam na época da vergonhosa prostituição, quer dizer, privatização, dizendo que se empenhariam ao máximo para corrigir esse erro, mas que ao entrarem, como é costumeiro, se esqueceram completamente o porquê estavam ali.
Tal grupo cobrou o executivo municipal, que também prometeu em campanha solucionar o problema da privatização, mas o que foi visto em sua administração foi o aumento das taxas do serviço prestado, inversamente proporcional à qualidade do mesmo, sem qualquer providencia tomada por parte da Prefeitura Municipal de Castilho (se houve a população não ficou sabendo).
Enquanto a população ficar bovinamente aceitando o que ai está, não adianta ter um grupinho de 10 “rapazes latino americanos, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindos do interior”. Se a população aceitar pacificamente beber merda e pagar por isso o que a fornecedora de merda cobra, vai continuar bebendo merda, essa é a lógica do mercado.
Entes públicos não vão tomar providência só porque você publicou no “O que eu odeio em Castilho”. Sem mobilização em massa nada acontecesse, pois o homem, principalmente o que esta no poder, ou aquele que se beneficia dele, luta noite e dia para manter o "status quo".
Portanto, se quer parar de beber o “barro de Castilho”, ou o “cloro de Castilho”, deixe de ser um rebelde virtual e passe a canalizar sua energia em algo mais útil e eficaz. Pare de esperar que as mudanças que nossa cidade precisam caiam do céu, ou que Deus tenha Facebook e veja sua reclamação e pense: Ah, me deixe ajudar aqueles coitadinhos... Deus abriu o mar vermelho, mas ordenou que o povo marchasse para passar por ele, não os pegou no colo e levou.
Quer mudança, mude primeiro você e depois seja agente de mudança na sua casa, na sua cidade, no seu estado, no seu país ...
E ai, vai continuar bebendo terra e tirar selfie com o copo pra postar no Face?