segunda-feira, 26 de agosto de 2013

POR SESSÕES À NOITE



Desde o início do ano e a posse dos novos (em sua maioria) e de alguns velhos vereadores existe em Castilho a reivindicação de setores de movimentos populares para que as sessões da Câmara Municipal fossem transferidas para o horário noturno.
De todos os municípios da região de Andradina, somente Castilho se dá o luxo de ter o horário de trabalho dos vereadores nas segundas-feiras de manhã, e não à noite como todos os outros. É de fato um ‘luxo’ para um município de 18 mil habitantes realizar suas sessões legislativas em horário onde a grande maioria das pessoas está trabalhando, restando a poucos a disponibilidade de assistir e acompanhar o que é dito e proposto por vereadores.
Tradicionalmente, estas sessões sempre foram em horário noturno, mas a partir da década passada houve a mudança para as manhãs de segundas-feiras.
Dizem que o argumento mais usado por quem aprovou e por quem ainda defende a manutenção das sessões da Câmara durante o dia é que no horário noturno as pessoas não compareciam, preferiam as novelas, o que é um  argumento absurdo.
Ainda que isto fosse mesmo o caso, das pessoas preferirem assistir TV às sessões da Câmara de Vereadores, isto não justificaria tal mudança de horário, pois, entende-se que é direito de todo cidadão não querer acompanhar as sessões e que a mesma deva ser realizada em horário que melhor possibilite a participação da maioria.
Uma coisa é não querer e outra é não poder acompanhar o que acontece no legislativo castilhense. Da forma como está a maioria simplesmente não pode fiscalizar os trabalhos da Câmara, pois nas segundas-feiras de manhã é horário de trabalho.
Pior é o argumento que para este problema tem a Rádio Comunitária que transmite as sessões - que por sinal deveria transmitir de graça, sem nada cobrar, tendo em vista ser uma Rádio Comunitária. Ou seja, a população pode saber o que acontece no plenário da Câmara ouvindo rádio, mas é bom que ouça e fique a distância.
Ora, a privatização da água foi transmitida pela Rádio local, muitos podem ter ouvido o que aconteceu naquele dia (se é que transmitiram mesmo aquela fatídica sessão), mas como iriam intervir do local de trabalho?
Pelo rádio não existe pressão popular. Esta se faz no corpo-a-corpo, ali no local e na hora. Tudo leva a crer que esse é o problema: ‘pressão popular’, medo de que ela aumente.
O momento político em Castilho e no Brasil mudou bastante. Aliás, já vinha mudando. A privatização da água teve o efeito de multiplicar a participação popular e o interesse das pessoas pela política em Castilho. O que se viu nos meses seguintes à entrega da água é um exemplo disso. O plenário da Câmara sempre cheio, mas com participação quase que restrita a aposentados, desempregados ou trabalhadores que trabalham em regime de plantão.
Ainda se percebe o clima quente. Se está sendo assim de manhã, como seria à noite?

Dóri Edson Lopes

2 comentários:

  1. Realmente as sessões noturnas facilitariam a presença de quem trabalha de dia, gosta e quer acompanhar de perto o trabalho de nossos nobres Edis. Só que aí a cobrança também seria maior heim, será mesmo por isso que nossas sessões são nas manhãs de segunda?

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