quarta-feira, 10 de julho de 2013

Revolução ou Contra-Revolução



Já dizia Marx e Engels que: "Em grandes épocas históricas, vinte anos equivalem a um dia, enquanto que podem aparecer dias que concentram em si vinte anos".
Ao que tudo indica estamos vivendo dias assim, onde um curto período de tempo concentra acontecimentos que não se via há pelo menos vinte anos. Depois de praticamente duas décadas de certo refluxo o mundo voltou a presenciar nos dois últimos anos grandes manifestações de massas populares em várias partes do mundo.
Trata-se de um novo período histórico, impulsionado principalmente pela atual crise do capitalismo e que tem levado populações de diversas partes do mundo às ruas, inclusive de países considerados como de primeiro escalão, como Grécia, Bélgica e Espanha, no continente europeu. Surgi também movimentos como o ‘Ocupe Wall Street’, que promoveu protestos contra o sistema capitalista em pleno território americano e inglês, países imperialistas baluartes do capitalismo.
Destaca-se a chamada ‘Primavera Árabe’, movimento de massas do Oriente Médio e norte do continente africano, que derrubou de forma sucessiva diversos governos em curto espaço de tempo.
No Brasil este período parece ter sido inaugurado com as grandes manifestações do mês de junho de 2013.
Existem algumas similaridades em todos estes casos e que chamam a atenção. Em todos eles se apresentam de forma revolucionária. Contesta o sistema capitalista, o parasitismo bancário que esgota as finanças do Estado em várias partes do mundo.  Manifestantes apedrejam os bancos, as redes de fast-food, os pedágios, ou seja, os símbolos da era neoliberal.
No entanto, são movimentos cujas manifestações foram chamadas através de redes sociais da internet, de forma autônoma, despolitizadas e sem a participação de organizações populares tradicionais.
Nesse ambiente despolitizado e desorganizado, uma minoria organizada pode confundir. Clama por manifestações sem partido e impõe sua pauta. Fortalece instituições conservadoras, como o judiciário, promove guerra contra a corrupção, principalmente se for de partidos de Esquerda, os de Direita se sobrar tempo. Predomina o discurso moralista e surgem pseudo-heróis da moral e bons costumes, vindos de Tribunais de Justiça.
No Egito, o partido de cunho religioso que havia vencido as primeiras eleições depois de uma grande era de ditadura não dá conta do recado. Mantêm as políticas neoliberais de arrocho salarial, contenção de gastos, juros e desemprego de trabalhadores. As massas insatisfeitas tomam novamente as ruas e suas reivindicações e revoltas são seqüestradas pelo exército egípcio, que financiado por três bilhões de dólares anuais dos Estados Unidos, dá o golpe, toma o poder e coloca no comando do país o Presidente do Superior Tribunal Federal do Egito, antes que qualquer rebelde mais radical assuma o poder. Diante disto os protestos continuam e em represália o exercito mata 51 pessoas, fere outras tantas e prende 600 ativistas.

Nestes tempos onde um dia corresponde a vinte anos é preciso estar atento. É um momento que não combina com este ambiente de desorganização política, de partidos oportunistas, onde a classe trabalhadora, aquela que mais sofre as contradições do mundo, carece de uma organização realmente representativa para disciplinar e politizar. Neste cenário chega-se a conclusão que é tênue a linha do progresso e do atraso, entre a revolução e a contra revolução. 

Dóri Edson Lopes

Um comentário:

  1. Segundo a foto, nem revolução, nem contra-revolução, mas GOLPE!

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